Sentido
sem ti
sendo
assim sem sentido
sem tino
assim sentido
sentindo
indo sem ti
ainda sentir.
8 de novembro de 2009
2 de novembro de 2009
Sequência
Fade in
Plongée seguido de plano detalhe
troca o plano
que a perspectiva é outra
traveling
close
o olhar não cabe na tela
a lente não consegue captar a luz
Elipse
Dolly back
Fade out
Plongée seguido de plano detalhe
troca o plano
que a perspectiva é outra
traveling
close
o olhar não cabe na tela
a lente não consegue captar a luz
Elipse
Dolly back
Fade out
7 de outubro de 2009
Insônia
Eu ainda madrugo com ideias aleatórias e pensamentos insistentes na cabeça, e quando amanhece, a mente clareia.
No escuro das noites em claro, tenho a sensação de ser uma janela dentro de outras janelas, sempre abertas, com vista para lugares diferentes.
Quero que todas as manhãs sejam alaranjadas, com finais de tarde rosa e noites de um tom qualquer que me permita ver estrelas.
Atrás da noite, meus medos e euforias se escondem, eu piso na grama com menos cautela e atravesso correndo, antes que amanheça e o sol possa me cegar.
No escuro das noites em claro, tenho a sensação de ser uma janela dentro de outras janelas, sempre abertas, com vista para lugares diferentes.
Quero que todas as manhãs sejam alaranjadas, com finais de tarde rosa e noites de um tom qualquer que me permita ver estrelas.
Atrás da noite, meus medos e euforias se escondem, eu piso na grama com menos cautela e atravesso correndo, antes que amanheça e o sol possa me cegar.
27 de setembro de 2009
Engarrafada
Uma dose.
Depois outra,
viro o copo num único gole.
Pra dor descer pela garganta,
antes que possa me engolir.
Coloco bastante gelo.
E quando ela estiver embriagada,
tranco na garrafa vazia em cima da mesa.
Depois outra,
viro o copo num único gole.
Pra dor descer pela garganta,
antes que possa me engolir.
Coloco bastante gelo.
E quando ela estiver embriagada,
tranco na garrafa vazia em cima da mesa.
Dor
Avassalador.
Animador.
Abrasador.
Arrebatador.
Curador.
libertador.
Encantador.
Estimulador.
Tranformador.
Conhecedor.
Vencedor.
Ela sempre estará lá.
Não importa o quanto uma coisa seja boa.
Animador.
Abrasador.
Arrebatador.
Curador.
libertador.
Encantador.
Estimulador.
Tranformador.
Conhecedor.
Vencedor.
Ela sempre estará lá.
Não importa o quanto uma coisa seja boa.
4 de setembro de 2009
Nenúfar
Uma típica manhã de Monet ainda fresca.
Cores cruas, sem misturas.
Traços sutis.
Sol que transborda no céu.
Passarada que entoa um canto leve,
sem voar,
pra não borrar o esquisso de nuvens.
Cheiro de nenúfares em águas pinceladas.
É de luz e sombreamento,
o movimento das nenúfares que dançam no lago.
Trazendo harmonia a tela.
Cores cruas, sem misturas.
Traços sutis.
Sol que transborda no céu.
Passarada que entoa um canto leve,
sem voar,
pra não borrar o esquisso de nuvens.
Cheiro de nenúfares em águas pinceladas.
É de luz e sombreamento,
o movimento das nenúfares que dançam no lago.
Trazendo harmonia a tela.
3 de agosto de 2009
Puxa uma cadeira
O cansaço chega sempre muito rápido, se acomoda facilmente em todos os cômodos.
Ele entra, puxa uma cadeira, reclama da temperatura do café, anda pelo espaço com o sapato sujo, e enquanto você corre pra pegar um pano e limpar o chão, ele já esta sentado com os pés em cima do sofá, encardindo tudo com a sujeira de tudo que ele percorreu da porta pra fora, e agora trás pra dentro da sua casa, pra dentro de você, penetra sua pele, invade os seus poros.
Ele acende o cigarro, e a fumaça adentra seus pulmões, afeta o seu sistema respiratório, cria um enfisema, e no curto tempo em que o cansaço se instala no seu quarto e se apropria da sua cama, o enfisema já se tornou um edema.
Seus lençóis já estão impregnados, você se sente molestada ao se cobrir na noite fria, com a causa da sua doença.
E todas as manhãs você acorda com o rosto coberto com poeira, da parede que você tenta quebrar diariamente, pra construir novas janelas, em busca de uma paisagem diferente, pra olhar e pedir por socorro.
Mas você percebe que é loucura, que o vento não balança a cortina, parece tinta por cima de concreto e gesso, e talvez seja... Você percebe que a janela não passa de pintura, uma releitura das poucas lembranças que sobraram do que existe lá fora.
Então você caminha até o sofá, e toma uma xícara de café com o cansaço.
Ele entra, puxa uma cadeira, reclama da temperatura do café, anda pelo espaço com o sapato sujo, e enquanto você corre pra pegar um pano e limpar o chão, ele já esta sentado com os pés em cima do sofá, encardindo tudo com a sujeira de tudo que ele percorreu da porta pra fora, e agora trás pra dentro da sua casa, pra dentro de você, penetra sua pele, invade os seus poros.
Ele acende o cigarro, e a fumaça adentra seus pulmões, afeta o seu sistema respiratório, cria um enfisema, e no curto tempo em que o cansaço se instala no seu quarto e se apropria da sua cama, o enfisema já se tornou um edema.
Seus lençóis já estão impregnados, você se sente molestada ao se cobrir na noite fria, com a causa da sua doença.
E todas as manhãs você acorda com o rosto coberto com poeira, da parede que você tenta quebrar diariamente, pra construir novas janelas, em busca de uma paisagem diferente, pra olhar e pedir por socorro.
Mas você percebe que é loucura, que o vento não balança a cortina, parece tinta por cima de concreto e gesso, e talvez seja... Você percebe que a janela não passa de pintura, uma releitura das poucas lembranças que sobraram do que existe lá fora.
Então você caminha até o sofá, e toma uma xícara de café com o cansaço.
12 de julho de 2009
Inverno
Você me ensinou a gostar do inverno, me mostrou o lado bom do frio, que não aquece mais conforta.
Um céu diferente, sem estrela nenhuma que eu pudesse observar, mas um céu tão cheio de nuances, que me perco tentando desvendar todos os tons de cinza que se escondem atrás de cada nuvem.
A chuva é boa, é chuva de verdade, não é como chuva de verão, que quando eu abria a porta já tinha ido embora, deixando apenas o cheiro de terra molhada que durava pouco. Agora posso sentir a chuva na minha pele.... Cada gota, sem precisar ser breve. É bom.
Você me dizia que o mar também gosta do inverno, e que as ondas ficam revoltas no verão, porque ele se sente contrariado.
Olhando o mar agora, eu não entendo, mas sinto e isso basta, sinto as ondas orquestradas pelo vento gelado e suave, parece música, na mesma sintonia.
Eu ainda consigo ouvir a sua voz, dizendo que não é correto dizer que o mar é domado pelo vento em noites gélidas.
Existe doação, amor genuíno não doma ou é domado, se permite, levando e sendo levado.
Eu ainda tenho areia nos meus pés, me faz lembrar que algum dia pisei num lugar seguro.
É inverno outras vez, mas eu tenho medo de sentir o vento sul soprar meu rosto novamente, tenho medo de sentir falta de ar, medo que meus pulmões não sejam fortes o bastante para passar por tudo isso, como meu coração passou uma vez, e ficou com sequelas.
Eu não tenho imunidade para outro inverno.
Um céu diferente, sem estrela nenhuma que eu pudesse observar, mas um céu tão cheio de nuances, que me perco tentando desvendar todos os tons de cinza que se escondem atrás de cada nuvem.
A chuva é boa, é chuva de verdade, não é como chuva de verão, que quando eu abria a porta já tinha ido embora, deixando apenas o cheiro de terra molhada que durava pouco. Agora posso sentir a chuva na minha pele.... Cada gota, sem precisar ser breve. É bom.
Você me dizia que o mar também gosta do inverno, e que as ondas ficam revoltas no verão, porque ele se sente contrariado.
Olhando o mar agora, eu não entendo, mas sinto e isso basta, sinto as ondas orquestradas pelo vento gelado e suave, parece música, na mesma sintonia.
Eu ainda consigo ouvir a sua voz, dizendo que não é correto dizer que o mar é domado pelo vento em noites gélidas.
Existe doação, amor genuíno não doma ou é domado, se permite, levando e sendo levado.
Eu ainda tenho areia nos meus pés, me faz lembrar que algum dia pisei num lugar seguro.
É inverno outras vez, mas eu tenho medo de sentir o vento sul soprar meu rosto novamente, tenho medo de sentir falta de ar, medo que meus pulmões não sejam fortes o bastante para passar por tudo isso, como meu coração passou uma vez, e ficou com sequelas.
Eu não tenho imunidade para outro inverno.
1 de julho de 2009
Lá
Logo, é momento que passou faz tempo.
Perto, torna tudo distante.
Longe, é sempre mais perto de mim.
Desviei o olhar e perdi de vista,
os olhos que me enxergavam da cabeça aos pés.
Quando me via sem pé nem cabeça.
Soltei as mãos ao atravessar a rua.
Os braços que me abraçavam quando me faltavam as pernas,
ficaram do outro lado.
Só olhei pra trás quando o sinal estava fechado.
Me vi sem pé nem cabeça,
Ou pernas que dessem passos,
sem que eu precisasse trocar os pés pelas mãos.
Com tempo eu coloco tudo no lugar,
fico inteira, mas não completa.
Inteira da cabeça aos pés.
Sem pé nem cabeça.
Só me reconheço do outro lado.
Mas o sinal fechou faz tempo.
Perto, torna tudo distante.
Longe, é sempre mais perto de mim.
Desviei o olhar e perdi de vista,
os olhos que me enxergavam da cabeça aos pés.
Quando me via sem pé nem cabeça.
Soltei as mãos ao atravessar a rua.
Os braços que me abraçavam quando me faltavam as pernas,
ficaram do outro lado.
Só olhei pra trás quando o sinal estava fechado.
Me vi sem pé nem cabeça,
Ou pernas que dessem passos,
sem que eu precisasse trocar os pés pelas mãos.
Com tempo eu coloco tudo no lugar,
fico inteira, mas não completa.
Inteira da cabeça aos pés.
Sem pé nem cabeça.
Só me reconheço do outro lado.
Mas o sinal fechou faz tempo.
24 de junho de 2009
Pesar
Cada dia mais duro.
O homem que se perdeu do menino na estrada.
Ele tira as pedras que entram no sapato e coloca no peito.
Diz ele que pedra no sapato faz doer quando pisa.
Pedra no peito pesa, mas ele carrega e nem sente.
Ele já nem consegue separar o que é pedra do que é peito.
Pra ele tudo tem o mesmo peso.
O homem que se perdeu do menino na estrada.
Ele tira as pedras que entram no sapato e coloca no peito.
Diz ele que pedra no sapato faz doer quando pisa.
Pedra no peito pesa, mas ele carrega e nem sente.
Ele já nem consegue separar o que é pedra do que é peito.
Pra ele tudo tem o mesmo peso.
29 de maio de 2009
Res-pirar
Fugiu quando não podia, só pra conhecer a sensação de voar.
A sensação de ter asas jamais conheceria.
Ficou, pra burlar as regras, por medo de correr, pra não perder o céu debaixo dos pés.
Porque o pior da queda, é não saber o que é pior.
Perder o chão? Perder o ar? Não ter o que perder? Ou estar simplesmente perdido?
Sem pouso e sem asa, céu atravessado na garganta.
Como estrela cadente, correndo sempre pra um sonho bom.
A sensação de ter asas jamais conheceria.
Ficou, pra burlar as regras, por medo de correr, pra não perder o céu debaixo dos pés.
Porque o pior da queda, é não saber o que é pior.
Perder o chão? Perder o ar? Não ter o que perder? Ou estar simplesmente perdido?
Sem pouso e sem asa, céu atravessado na garganta.
Como estrela cadente, correndo sempre pra um sonho bom.
26 de maio de 2009
Através do espelho
Alice,
no pais da lisergia.
corria
Chapeleiro,
chá pelando servia.
no espelho
Ali se via
cansada e vazia.
no pais da lisergia.
corria
Chapeleiro,
chá pelando servia.
no espelho
Ali se via
cansada e vazia.
18 de maio de 2009
Tinta fresca
É preciso mais que uma mão.
São necessárias duas mãos de tinta clara.
Pra clarear,
pra disfarçar a mancha que não sai com água sanitária,
que desbota e amarela o branco.
Alvejando o sol de giz que eu tenho desenhado na parede,
carregada de nuvens de mofo matizadas.
A parede invisível que construí no pensamento
pra separar territórios imaginários.
Quando a ilusão se choca com a realidade, chove.
Gotejando o que eu não sei definir, infiltrando as cores.
Derramando raios multicoloridos
que escorrem e borram o pigmento sonho.
Que pintei com pequenas pinceladas,
pra absorver todas as tonalidades ao tingir.
São necessárias duas mãos de tinta clara.
Pra clarear,
pra disfarçar a mancha que não sai com água sanitária,
que desbota e amarela o branco.
Alvejando o sol de giz que eu tenho desenhado na parede,
carregada de nuvens de mofo matizadas.
A parede invisível que construí no pensamento
pra separar territórios imaginários.
Quando a ilusão se choca com a realidade, chove.
Gotejando o que eu não sei definir, infiltrando as cores.
Derramando raios multicoloridos
que escorrem e borram o pigmento sonho.
Que pintei com pequenas pinceladas,
pra absorver todas as tonalidades ao tingir.
8 de maio de 2009
Ela
Cansei de falar na terceira pessoa, como quem fala de alguém que encontrou na rua e deu bom dia por educação.
Falar ela é mais fácil que falar eu, falar na terceira pessoa faz o problema parecer menor.
É sempre mais fácil falar do problema dos outros, fazer criticas ou buscar soluções sem se envolver muito, ou não se envolvendo nada.
É mais fácil ser ela e tantas outras que não sejam eu.
É que ela quando fala de dor não escolhe as palavras, não separa as que causam nó na garganta, ela fala com um certo desprendimento, que se fosse o eu a falar daria os sinais de garganta seca, olharia para baixo para não encarar a dor de frente.
Que a dor no papel é poesia, dor nos lábios é música, mas a dor quando é minha embola na garganta, e só sai conjugada na terceira pessoa.
Falar ela é mais fácil que falar eu, falar na terceira pessoa faz o problema parecer menor.
É sempre mais fácil falar do problema dos outros, fazer criticas ou buscar soluções sem se envolver muito, ou não se envolvendo nada.
É mais fácil ser ela e tantas outras que não sejam eu.
É que ela quando fala de dor não escolhe as palavras, não separa as que causam nó na garganta, ela fala com um certo desprendimento, que se fosse o eu a falar daria os sinais de garganta seca, olharia para baixo para não encarar a dor de frente.
Que a dor no papel é poesia, dor nos lábios é música, mas a dor quando é minha embola na garganta, e só sai conjugada na terceira pessoa.
6 de maio de 2009
A. Boal
O fato do ato ter terminado não significa que seu espetáculo chegou ao fim.
O ator não interpreta, cria uma nova realidade.
A cortina se fechou, mas isso não significa que o espetáculo terminou, significa que o espetáculo continua.
Através da plateia, que leva na alma e na pele um pedaço do que foi apresentado, que saem transformados, e através dessa transformação, transformarão, sobretudo o estabelecido.
Que o palco é o templo sagrado onde tudo é eterno e atemporal, e não existe palco nesse mundo que não tenha sido por você imortalizado Boal.
Ator raso e atravessado, sua arte sempre transbordante respingou em mim .
Intervenções através do teatro, confrontos pelo teatro.
O exílio só te serviu de auxilio para criar e dar voz ao teatro invisível, que nem a tortura da ditadura conseguiu abafar.
Aprendemos contigo que podemos fazer política enquanto fazemos teatro, e fazer teatro enquanto fazemos política.
Que a opressão é condição que a gente muda, dando a ela um sentido mais bonito.
Teatro do oprimido.
Meu caro amigo, assim pelos lábios do Chico, fez carta e musicou, e hoje até mesmo Dionísio está a cantar.
“Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta sem você”
O ator não interpreta, cria uma nova realidade.
A cortina se fechou, mas isso não significa que o espetáculo terminou, significa que o espetáculo continua.
Através da plateia, que leva na alma e na pele um pedaço do que foi apresentado, que saem transformados, e através dessa transformação, transformarão, sobretudo o estabelecido.
Que o palco é o templo sagrado onde tudo é eterno e atemporal, e não existe palco nesse mundo que não tenha sido por você imortalizado Boal.
Ator raso e atravessado, sua arte sempre transbordante respingou em mim .
Intervenções através do teatro, confrontos pelo teatro.
O exílio só te serviu de auxilio para criar e dar voz ao teatro invisível, que nem a tortura da ditadura conseguiu abafar.
Aprendemos contigo que podemos fazer política enquanto fazemos teatro, e fazer teatro enquanto fazemos política.
Que a opressão é condição que a gente muda, dando a ela um sentido mais bonito.
Teatro do oprimido.
Meu caro amigo, assim pelos lábios do Chico, fez carta e musicou, e hoje até mesmo Dionísio está a cantar.
“Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta sem você”
29 de abril de 2009
Enquadramento.
Sabe quando você não se enquadra?
Um pé é tango e o outro salsa.
Minha cabeça é jazz até do avesso.
Num ambiente bolero com lambada,
o que toca é samba e meu corpo é valsa.
Sonho mambo numa cama rockabilly.
Acordo sacra numa manhã zouk.
O dia é punk e eu sou blues numa tarde ópera.
Durmo tropicália numa noite bossa nova.
Despertar alternativa numa manhã clássica.
Uma dose de psicodelia em goles celtas.
Degustar rock e digerir polca.
Ouvir reggae cantarolando fado.
Um pé é tango e o outro salsa.
Minha cabeça é jazz até do avesso.
Num ambiente bolero com lambada,
o que toca é samba e meu corpo é valsa.
Sonho mambo numa cama rockabilly.
Acordo sacra numa manhã zouk.
O dia é punk e eu sou blues numa tarde ópera.
Durmo tropicália numa noite bossa nova.
Despertar alternativa numa manhã clássica.
Uma dose de psicodelia em goles celtas.
Degustar rock e digerir polca.
Ouvir reggae cantarolando fado.
8 de abril de 2009
Eu por mim
Resultado da terapia.
Sou...
Apenas sou, apenas sinto.
O que vem depois das reticências eu não entendo, desconheço em parte.
Como uma sala de espelhos múltiplos onde posso ver a pessoa que eu era a pessoa que eu não seria e a pessoa que eu gostaria de ser.
Elas são completamente diferentes.
Milhares de fragmentos de variados espelhos incompletos que se encontram em estranheza.
A imagem que reflete é a distorção daquilo que cada qual pensa que sou.
Tentar achar um lugar que a gente não sabe o caminho nos faz ir tão longe, que chega um ponto em que não consegue mais voltar.
Perde o rumo de ser, mas não pode perder a razão de continuar sendo.
Se engana quem diz que é preciso se perder para se encontrar.
Durante o processo a gente se transforma e quando encontra, descobre o que era e já não é, e talvez isso ajude a entender o que se tornou e não se deu conta.
Sou...
Apenas sou, apenas sinto.
O que vem depois das reticências eu não entendo, desconheço em parte.
Como uma sala de espelhos múltiplos onde posso ver a pessoa que eu era a pessoa que eu não seria e a pessoa que eu gostaria de ser.
Elas são completamente diferentes.
Milhares de fragmentos de variados espelhos incompletos que se encontram em estranheza.
A imagem que reflete é a distorção daquilo que cada qual pensa que sou.
Tentar achar um lugar que a gente não sabe o caminho nos faz ir tão longe, que chega um ponto em que não consegue mais voltar.
Perde o rumo de ser, mas não pode perder a razão de continuar sendo.
Se engana quem diz que é preciso se perder para se encontrar.
Durante o processo a gente se transforma e quando encontra, descobre o que era e já não é, e talvez isso ajude a entender o que se tornou e não se deu conta.
24 de março de 2009
O ano inteiro
A paisagem da minha janela ja não é composta por flores nem borboletas.
A primavera passou.
Bom tempo para observar as formigas.
Enquanto a boboleta está na sua fase crisálida.
Esperando pra voar novamente.
A primavera passou.
Bom tempo para observar as formigas.
Enquanto a boboleta está na sua fase crisálida.
Esperando pra voar novamente.
19 de março de 2009
Nota
As palavras tristes, sempre doloridas.
Foram banidas do papel.
Pois quando lidas se tornavam feridas.
Latentes, mas nunca notodas.
Hoje a caneta filtra o que o coração sente.
Foram banidas do papel.
Pois quando lidas se tornavam feridas.
Latentes, mas nunca notodas.
Hoje a caneta filtra o que o coração sente.
26 de fevereiro de 2009
Serpentina
O sorriso dela não é de conefete e serpentina.
Não dança ao som de qualquer marchinha.
Tamborim ou agogô.
O sorriso dela não passou com o bloco.
E na quarta não termina.
Ela não usa fantasia.
De Arlequim, Colombina ou Pierrot.
O sorriso dela não é feito de tinta.
O brilho não é de lantejoula nem purpurina.
Dança em outro ritmo aquela menina.
Não dança ao som de qualquer marchinha.
Tamborim ou agogô.
O sorriso dela não passou com o bloco.
E na quarta não termina.
Ela não usa fantasia.
De Arlequim, Colombina ou Pierrot.
O sorriso dela não é feito de tinta.
O brilho não é de lantejoula nem purpurina.
Dança em outro ritmo aquela menina.
16 de fevereiro de 2009
Ventando
Areia no vento voa sem asa.
Sem céu era chão.
Seu destino, pé que pisava.
Ignorou e voava.
Liberdade de catavento.
Não perde tempo.
Que tempo também voa.
Tempo também passa.
Sem céu era chão.
Seu destino, pé que pisava.
Ignorou e voava.
Liberdade de catavento.
Não perde tempo.
Que tempo também voa.
Tempo também passa.
11 de fevereiro de 2009
Descrever
Eu degustei mais não digeri, ainda sinto um nó de palavras na minha garganta.
Saciada e vazia.
Um sentimento dialético com versos orgânicos sem rimas fáceis.
Tem palavra ainda sem sentindo.
Outras fazendo cócegas, escapando pelos lábios em canções assoviadas ou através de sorrisos.
E as palavras que escapam como lagrima, são as que mais mexem comigo.
Saciada e vazia.
Um sentimento dialético com versos orgânicos sem rimas fáceis.
Tem palavra ainda sem sentindo.
Outras fazendo cócegas, escapando pelos lábios em canções assoviadas ou através de sorrisos.
E as palavras que escapam como lagrima, são as que mais mexem comigo.
5 de fevereiro de 2009
Partida
Diga que eu já vou, mas não fique a esperar.
Vou partir sem sair do lugar.
Como ir? Se eu sempre estive lá.
O aqui é reflexo.
O ali? Pensamento sem nexo.
Juntos são miragem.
Carrego o peso e não a bagagem.
Pra trás deixo os restos.
Quando eu sair.
Fique certo de que não irei mais voltar.
A pessoa que gira a chave desse lado da porta.
Não é a mesma que tira do lado de lá.
Vou partir sem sair do lugar.
Como ir? Se eu sempre estive lá.
O aqui é reflexo.
O ali? Pensamento sem nexo.
Juntos são miragem.
Carrego o peso e não a bagagem.
Pra trás deixo os restos.
Quando eu sair.
Fique certo de que não irei mais voltar.
A pessoa que gira a chave desse lado da porta.
Não é a mesma que tira do lado de lá.
26 de janeiro de 2009
Colo-rir
As cores se transformam.
Transbordam.
Escorrem e viram novas cores.
Do borrão.
Fica a forma.
As cores que sinto.
As cores que vejo.
Repletas de contornos e lampejos.
Não são apenas fótons.
São sinestesia da alma.
Onde laranja é o fim de tarde.
A paz não é branca é azul.
Não é azul o mar.
O mar é arco-íris.
Que me ponho a remar.
Transbordam.
Escorrem e viram novas cores.
Do borrão.
Fica a forma.
As cores que sinto.
As cores que vejo.
Repletas de contornos e lampejos.
Não são apenas fótons.
São sinestesia da alma.
Onde laranja é o fim de tarde.
A paz não é branca é azul.
Não é azul o mar.
O mar é arco-íris.
Que me ponho a remar.
24 de janeiro de 2009
Yanomaminista
Pedi a Nhanderu, Iamandu, Tupã .
Mim Guarani.
Kaiapó, Kulina, Pataxó.
Sentindo nos quatro elementos.
A cultura Yanomami.
Que o vento laçado no tempo.
Levou de mim.
Karaja, Maioruna, Suruí.
O eu calou o mim.
Na grafia, na pele, na cor e nos traços.
Aos pedaços.
Essa Tupinamba, Potiguar, Xavante.
Sem som de toró e boré.
Esta cada vez mais distante.
Pedi a Monã que guia o universo.
A Guanaci e Jaci.
Que fazem os ciclos completos.
Que as tribos vai juntar.
Que não é sangue do meu sangue.
Mas é cultura da minha cultura.
Pedi a Rudá .
Moraûsuba pya-pe.
Mim Guarani.
Kaiapó, Kulina, Pataxó.
Sentindo nos quatro elementos.
A cultura Yanomami.
Que o vento laçado no tempo.
Levou de mim.
Karaja, Maioruna, Suruí.
O eu calou o mim.
Na grafia, na pele, na cor e nos traços.
Aos pedaços.
Essa Tupinamba, Potiguar, Xavante.
Sem som de toró e boré.
Esta cada vez mais distante.
Pedi a Monã que guia o universo.
A Guanaci e Jaci.
Que fazem os ciclos completos.
Que as tribos vai juntar.
Que não é sangue do meu sangue.
Mas é cultura da minha cultura.
Pedi a Rudá .
Moraûsuba pya-pe.
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